segunda-feira, 23 de abril de 2018

HOMILIA DO BOM PASTOR E ABERTURA DA SEMANA VOCACIONAL CALABRIANA.


Estimados irmãos e irmãs, o 4º domingo de Páscoa é conhecido como o Domingo do BOM PASTOR, porque nele todos os anos,  Jesus é apresentado como o "Bom Pastor". Dentro desta dinâmica celebramos a X Semana Vocacional Calabriana. Que tem como tema: “Valorize e ame muito sua vocação”. “A vocação depende de Deus, e Deus não deixa de suscitar em abundancia segundo os desígnios da sua Providência. Mas sabemos que Deus quer servir-se também dos homens como seus instrumentos e auxiliares. ‘Quem te criou sem a tua ajuda, não te salvará sem teu auxilio’: esta palavra pode ser aplicada também às vocações.” (Padre Calábria, para ENRICO RUBALTELLI *R 19).“Eu sou o bom pastor” – disse Jesus. O adjetivo grego usado para “bom” significa mais que bom: é belo, perfeito, pleno, bom. Jesus é, portanto, o pastor por excelência, aquele pastor que o próprio Deus sempre foi. Pela boca de Ezequiel profeta, Deus tinha prometido que ele próprio apascentaria o seu rebanho: “Eu mesmo cuidarei do meu rebanho e o procurarei. Eu mesmo apascentarei o meu rebanho, eu mesmo lhe darei repouso” (34,11.15). Pois bem: Jesus apresenta-se como o próprio Deus pastor do seu povo![1]

A 1ª Leitura mostra o PRIMEIRO PASTOR da jovem Comunidade: Pedro responde ao Sinédrio, que curou o aleijado: "em nome de Jesus Cristo, crucificado por vós, mas ressuscitado por Deus". (At 4,8-12) Ele é o único Salvador, o "Pastor verdadeiro" que nos conduz à verdadeira vida.

O Salmista agradece porque a pedra rejeitada pelos construtores

tornou-se a pedra angula. (Sl 118)

Na 2ª Leitura, João afirma que somos todos FILHOS DE DEUS. Mas essa filiação divina não é uma conquista nossa, mas um dom do Deus que habita em nós. (1Jo 3,1-2).

O Evangelho, Caríssimos, voltemos o nosso olhar para Aquele que foi entregue por nós e por nós ressuscitou. Olhemos seu lado aberto, suas mãos chagadas. Quanto nos ama, quanto se deu a nós! Agora, escutemo-lo dizer: “”Eu sou o bom pastor! Eu conheço as minhas ovelhas! Eu dou a minha vida pelas ovelhas!” Num mundo de tantas vozes, sigamos a voz de Jesus! Num mundo de tantas pastagens venenosas, deixemos que o Senhor nos conduza às pastagens verdadeiras, que nos dão vida plena e sacia nosso coração! Num mundo que nos tenta seduzir com tantos amores, amemos de todo coração Aquele que nos amou e por nós se entregou ao Pai!

O BOM PASTOR é diferente dos outros, por duas razões:

- Porque está disposto a DAR A VIDA pelas ovelhas que ama. (5 x) O mercenário no perigo abandona as ovelhas e foge… Porque CONHECE suas ovelhas e é conhecido por elas… Ele as chama pelo nome… e elas o seguem… "Conhecer" é mais que um ato intelectual… é comunhão de vida... É fruto do convívio e do diálogo, e gera o amor.

Caríssimos não pode esquecer-me de traçar algumas linhas sobre o Calábria e Espiritualidade que é um tesouro para a Igreja de Cristo:

Vocação requer cultivo...

Segundo o dicionário, cultivar está relacionado com a terra, lavradores (cuidado, dedica-se procurar manter ou conservar[2]. O Pe. Calábria, desde cedo, buscou cultivar seu chamado “brincava de altarzinho”, repetia, da melhor forma possível, em casa, as celebrações religiosas que observava na igreja[3]. Sua mãe, profundamente religiosa, buscou ensinar os valores da fé: “começou a levar Joãozinho à igreja,  desde tenra idade”. João vai crescendo dentro de um ambiente temente a Deus... Desde sua infância, ele percebeu, na vida devota de sua mãe,  que ela o ajudou a conhecer melhor a fé e ter uma forte noção da presença de Deus em sua vida... A missa, o terço, pequenos sermõezinhos, foram apontando para seu chamado: “é necessário salvar almas”.

A família de Joãozinho era uma pequena igreja, ou seja, um pequeno santuário. “Embora eu seja muito pobre, muito miserável, contudo devo dizer, com sinceridade, que, desde os meus primeiros anos, senti em mim a vocação ao sacerdócio, e, em meio a tantas provações, a tantas contradições e tantas misérias, nunca, por pura graça do Senhor, tive a menor dúvida sobre minha vocação” [4]. Portanto, Calábria sempre se sentiu chamado, cativado e amado: “Oh, meus queridos e amados irmãos, procurem dar valor e amar muito a sua vocação, vivendo como verdadeiros e santos missionários, dignos filhos, dignos seguidores do primeiro e Divino Missionário, Cristo Jesus!... Oh se vocês forem religiosos de fé, de sacrifício, de continua união com Deus, por meios da vida interior, com o espírito da Congregação, sinto que vocês irão fazer milagres, que o Senhor se servirá de vocês para grandes coisas[5]”.

A Espiritualidade Calabriana, por ser atual e comprometedora, nos impulsiona à vivência de uma radicalidade evangélica: “Senhor, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes” (Lc, 5,5). Chamados a configurar-se “A Pessoa do Cristo” – Ser cultivado significa deixar-se moldar pelo Espírito, sem perder a identidade carismática nos acontecimentos da vida. Neste sentido ser cultivado é aprender com o Mestre, onde nasce a “mística do encontro”, fraternal e missionário. “É deixar-se tocar e transfigurar-se por duas grandes imagens bíblicas: A Samaritana (Jo 4, 1-42) e  O Bom Samaritano (Lc 10, 29-37).  É “a paixão por Cristo e paixão pela humanidade” é “amar muito a própria vocação”...

Por fim, Pe . Calábria cativou e deixou-se cativar vocacinalmente.  Somos desafiados hoje, como Calábria foi ao seu tempo... Ao subirmos ao monte, para uma experiência que transforma e transfigura nossas vidas, e, ao mesmo tempo, descemos do monte para transformar o mundo, lavando os pés da humanidade desfigurada. Neste sentido, o vocacionado exige um “coração de eremita, alma de alpinista, olhos de amante, mãos de médicos e mente de rabi”[6]. Fica o desafio para nós...



Pe. Jardel Rodrigues de Oliveira, psdp




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[1] http://www.presbiteros.org.br/homilia-de-d-henrique-soares-da-costa-iv-domingo-de-pascoa-ano-b/ (Em: 22 de abr de 2018).

[2] AREULIO, Novo Dicionário Aurélio – Da Língua Portuguesa. Curitiba: Editora Positiva, 2009, 527p.

[3] GEECCHELE, Gaetano,  São João Calábria  - Um itinerário de santidade. Porto Alegre: Calábria, 2003, 20p.

[4] Id. 21p.

[5] Carta aos Religiosos, Meus irmãos muito amados. Porto Alegre: Calábria, 2006, 98p.

[6] CHISTTISTER, Joan. Fogo sobre as cinzas – Uma espiritualidade da vida religiosa contemporânea. São Paulo: Paulinas, 1998, 237p.

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